×

Zezé Di Camargo não tem motivos para sorrir após receber triste notícia

Zezé Di Camargo não tem motivos para sorrir após receber triste notícia

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) bateu o martelo e determinou o cancelamento da tradicional Festa do Peão de Peixoto de Azevedo. A decisão pegou muita gente de surpresa, já que a cidade inteira aguardava o evento, que estava marcado para acontecer entre os dias 27 e 31 de agosto. Para quem vive na região, a festa não é só diversão: movimenta bares, hotéis, ambulantes, gera renda e coloca a cidade no mapa por alguns dias.

Mas, por trás dos holofotes e da expectativa, veio à tona um problema sério. O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) detectou irregularidades nos contratos feitos pela prefeitura com as atrações musicais. Os valores eram altíssimos, passando de R$ 2,2 milhões só em cachês. Entre os artistas confirmados estavam nomes de peso, como Zezé Di Camargo e Naiara Azevedo. Não dá pra negar que seriam shows de lotar arena, mas a conta ficou pesada demais para uma cidade que não chega a 50 mil habitantes.

Pra se ter ideia, apenas o cantor Zezé Di Camargo receberia R$ 500 mil por uma única apresentação. Já Naiara Azevedo estava com cachê fechado em R$ 400 mil. E ainda tinha mais gente confirmada: Cleber & Cauan, Humberto & Ronaldo, Wesley & Conrado e até Serginho Pinheiro. A lista de artistas parecia de um festival sertanejo de capital grande, não de um município encolhido no orçamento. O detalhe é que a legislação estabelece que repasses para esse tipo de evento não podem ultrapassar R$ 600 mil. Ou seja, a prefeitura planejava gastar quase quatro vezes o limite permitido.

Peixoto de Azevedo, localizada a mais de 690 quilômetros de Cuiabá, atravessa um momento de crise financeira. O próprio MPMT destacou que a cidade fechou o primeiro semestre de 2024 com déficit orçamentário. Em tempos assim, gastar cifras milionárias em shows soa, no mínimo, irresponsável. O TJMT entendeu dessa forma e acabou suspendendo a festa. Claro que houve frustração popular, já que muitos esperavam o evento como um respiro no meio do ano. Mas a decisão também trouxe um alerta: lazer é importante, mas não pode custar mais do que a cidade tem condições de pagar.

Conversando com moradores, dá pra sentir o clima de decepção. Muita gente estava animada, planejando inclusive receber parentes de fora, já que a festa é ponto de encontro tradicional. “A gente esperava essa festa o ano todo, ia ser um alívio depois de tanta dificuldade”, comentou um comerciante local. Ele não deixa de ter razão, afinal, numa cidade pequena, um evento desses injeta dinheiro e dá visibilidade. Mas, como muita coisa no Brasil, esbarra na questão do uso do dinheiro público.

Vale lembrar que não é a primeira vez que polêmicas envolvendo festas bancadas por prefeituras aparecem nas manchetes. Só neste ano vimos discussões parecidas em outros municípios, principalmente em cidades pequenas que enfrentam problemas sérios de saúde, educação e infraestrutura, mas ainda assim investem pesado em shows de grandes artistas. O caso de Peixoto de Azevedo virou símbolo desse embate entre desejo popular e responsabilidade fiscal.

 

Publicar comentário