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Lula manda recado direto a Trump e solta frase polêmica

Lula manda recado direto a Trump e solta frase polêmica

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a subir o tom, dessa vez durante um evento internacional que reuniu lideranças progressistas em Barcelona, na Espanha, neste sábado (18). A fala dele chamou atenção, principalmente pelo recado direto — ainda que sem citar o nome — ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Em um discurso com aquele estilo já conhecido, meio improvisado, meio calculado, Lula disse que não pretende competir com base em mentiras ou poder econômico. Segundo ele, não tem a mesma riqueza ou tecnologia que o líder americano, mas deixou claro que também não busca conflito. “Eu não quero guerra”, afirmou, antes de completar com algo que soou quase como um desabafo: o que realmente importa, na visão dele, é caráter, honestidade e decência.

A declaração veio no contexto das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. O estopim foi a decisão do governo americano de impor uma tarifa de 10% sobre produtos brasileiros, sob a justificativa de um suposto déficit comercial. Em outras palavras, os EUA alegam que compram mais do Brasil do que vendem — o que, segundo Lula, não bate com os dados reais.

De acordo com o presidente brasileiro, o histórico da balança comercial mostra justamente o contrário: os Estados Unidos é que têm superávit na relação, ou seja, vendem mais para o Brasil do que compram. Esse ponto, inclusive, já teria sido apresentado formalmente ao governo americano, mas até agora não houve mudança na política de tarifas.

E aí entra um detalhe curioso dessa história toda. Mesmo com a pressão diplomática brasileira, e tentativas de diálogo que já vêm desde o ano passado, o governo dos EUA não recuou. Pelo contrário. Em uma decisão que pegou muita gente de surpresa no início do ano, a Suprema Corte americana chegou a considerar as tarifas inconstitucionais, recomendando a revogação imediata.

Só que, na prática, a coisa não foi bem assim.

No mesmo dia da decisão, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessentt, anunciou uma nova medida: a ampliação da taxação para 15%, agora aplicada a todos os países. Ou seja, o problema deixou de ser só com o Brasil e virou algo mais amplo, quase uma mudança de estratégia comercial.

Enquanto isso, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro segue tentando contornar a situação. Nos bastidores, o clima ainda é de cautela. Existe a expectativa de que um encontro entre Lula e Trump possa destravar esse impasse, mas isso ainda depende de vários fatores.

No fim de 2025, havia uma previsão de reunião entre os dois líderes, justamente para tratar de temas como comércio e cooperação internacional. Só que o cenário global mudou. A escalada de conflitos no Oriente Médio, com envolvimento direto dos Estados Unidos, acabou adiando esses planos. Agora, a aposta é que esse encontro aconteça apenas no segundo semestre deste ano — se acontecer.

Outro ponto que entrou na discussão recentemente foi a participação do ministro da Fazenda, Dario Durigan, nas reuniões de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington. Ele contou que teve duas ou três conversas com o próprio Bessentt ao longo da semana.

Mas quem esperava avanços sobre as tarifas pode ter se frustrado. Segundo Durigan, o assunto simplesmente não entrou na pauta. As conversas giraram em torno de temas mais amplos, como inteligência artificial e cooperação internacional. Um sinal de que, pelo menos por enquanto, a questão comercial segue meio travada.

No fim das contas, o discurso de Lula em Barcelona parece refletir bem esse momento: um misto de crítica, tentativa de diálogo e também posicionamento político. Ele fala para fora, mas também manda recado para dentro, especialmente num cenário global que anda cada vez mais instável.

E assim, entre reuniões, declarações e negociações que nem sempre avançam, o Brasil vai tentando se equilibrar nesse jogo complicado da política internacional — onde, convenhamos, nem sempre vence quem tem mais razão. Às vezes, vence quem tem mais força mesmo.

 

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