Marinho rompe o silêncio e revela que Vorcaro financiou filme de Lula
O senador Rogério Marinho, que hoje atua como um dos coordenadores da campanha de Flávio Bolsonaro, participou nesta quarta-feira (21) de uma entrevista ao vivo na CNN Brasil e acabou entrando em uma polêmica daquelas. Durante a conversa, Marinho afirmou que o banqueiro Daniel Vorcaro teria colocado dinheiro em produções audiovisuais ligadas tanto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto ao ex-presidente Michel Temer. O detalhe é que a fala dele foi corrigida na mesma hora, ao vivo, pela apresentadora Elisa Veeck.
Segundo Rogério Marinho, Vorcaro teria investido inclusive no documentário “Lula” (2022), dirigido pelo cineasta americano Oliver Stone, considerado um dos diretores mais conhecidos do mundo. A declaração chamou atenção rapidinho nas redes sociais, até porque o tema já vinha sendo comentado depois de reportagens recentes envolvendo supostos financiamentos de produções políticas no Brasil.
Na entrevista, Marinho tentou contextualizar o assunto dizendo que o empresário procurado para investir em um filme sobre Jair Bolsonaro também teria ajudado produções relacionadas a Lula e Temer. Ele até usou a expressão latina “pari passu”, querendo dizer que os investimentos teriam acontecido “na mesma medida”. Só que o clima mudou segundos depois.
A âncora Elisa Veeck interrompeu o senador e fez uma correção pública ali mesmo. Ela explicou que produtores e diretores envolvidos nas obras citadas negam qualquer relação financeira com Daniel Vorcaro, principalmente no caso do documentário de Oliver Stone sobre Lula. O momento pegou muita gente de surpresa e viralizou em páginas políticas no X, antigo Twitter, e também em cortes espalhados pelo Instagram e TikTok.
Pouco tempo depois da repercussão, Oliver Stone divulgou uma nota oficial reforçando a negativa. No comunicado, o diretor afirmou que não houve recebimento de recursos vindos de Vorcaro, do Banco Master ou de empresas associadas ao banqueiro para a realização do filme lançado em 2022 no Festival de Cannes. A nota ainda dizia que a equipe jurídica poderia tomar medidas contra informações consideradas falsas ou distorcidas divulgadas publicamente.
Enquanto isso, o nome de Flávio Bolsonaro voltou ao centro das discussões por causa de uma reportagem publicada pelo Intercept Brasil. Segundo a matéria, o senador teria negociado cerca de R$ 134 milhões com Vorcaro para financiar “Dark Horse”, uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. A publicação afirma que parte do dinheiro teria sido enviada para fundos nos Estados Unidos ligados a aliados da família Bolsonaro.
Ainda conforme a reportagem, Flávio teria mandado mensagens e até áudios ao banqueiro pedindo ajuda financeira para manter o projeto de pé. Em alguns trechos divulgados, ele menciona preocupação com possíveis atrasos de pagamentos a atores e diretores americanos envolvidos na produção. O assunto rapidamente ganhou repercussão política, principalmente entre aliados e opositores do ex-presidente.
Nas redes sociais, muita gente comentou o constrangimento vivido por Rogério Marinho durante a entrevista. Alguns internautas disseram que a correção ao vivo mostrou falta de checagem antes da declaração. Outros defenderam o senador, alegando que ainda existem informações sendo investigadas sobre os bastidores desses financiamentos ligados ao audiovisual político brasileiro.
O episódio acabou virando mais um ingrediente na guerra narrativa que domina a política nacional nos últimos meses. E pelo visto, essa novela envolvendo documentários, bancos, cineastas famosos e figuras políticas ainda deve render novos capítulos nos próximos dias.



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