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Lula quebra protocolo e toma drástica medida contra a Globo; entenda

Lula quebra protocolo e toma drástica medida contra a Globo; entenda

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu não aceitar um convite feito pelo jornal O Globo para conceder uma entrevista. O convite fazia parte de uma série especial com ex-presidentes da República, mas o chefe do Executivo optou por recusar a proposta e explicou os motivos em uma carta enviada diretamente ao jornalista responsável pelo contato.

No documento, Lula agradeceu o convite, porém deixou claro que não considera existir um ambiente adequado para participar da entrevista. Segundo ele, a postura editorial adotada pelas Organizações Globo ao longo dos últimos anos inviabiliza qualquer conversa nesse momento. O presidente fez questão de separar a atuação dos jornalistas da linha editorial da empresa.

“Prezado Bernardo, agradeço o convite para uma entrevista para o jornal O Globo em uma série sobre ex-presidentes da República. Seu convite destoa da censura imposta pelas Organizações Globo. Não confundo as organizações com as diferentes condutas profissionais de cada um dos seus jornalistas”, escreveu Lula no início da carta.

Na sequência, o presidente afirmou que sua decisão está relacionada ao que considera um tratamento injusto recebido por parte do grupo de comunicação. De acordo com ele, durante os processos judiciais que enfrentou nos últimos anos, a cobertura teria reforçado informações que, segundo sua avaliação, posteriormente se mostraram falsas ou sem comprovação, mas que nunca teriam sido corrigidas da maneira adequada.

Lula também relembrou os processos da Operação Lava Jato, que marcaram a política brasileira e ainda geram debates até hoje. Na carta, ele afirmou que foi alvo de perseguição judicial e voltou a defender que as acusações feitas contra ele eram frágeis. Para o presidente, parte da imprensa contribuiu para fortalecer essa narrativa sem apresentar um contraponto.

“As próprias sentenças tão celebradas pela Globo são incapazes de apontar que ato errado eu teria cometido no exercício da presidência da República. Fui condenado por atos indeterminados”, destacou o petista em outro trecho da mensagem.

O presidente também voltou a citar as reportagens publicadas pelo site The Intercept Brasil, conhecidas como “Vaza Jato”. Segundo Lula, aquelas revelações mostraram que houve parcialidade na condução dos processos judiciais envolvendo seu nome. Ainda de acordo com ele, esse material não recebeu o destaque que deveria ter nos veículos do Grupo Globo.

Na avaliação de Lula, as reportagens do The Intercept demonstrariam que existiu uma atuação conjunta entre o então juiz responsável pelos processos e integrantes do Ministério Público. O presidente afirmou que essas informações ajudariam a comprovar que ele foi julgado de forma injusta, tese que continua defendendo desde que teve suas condenações anuladas pelo Supremo Tribunal Federal.

No encerramento da carta, Lula reforçou que não pretende conceder entrevistas ao grupo enquanto, na visão dele, não houver um reconhecimento sobre a maneira como sua imagem foi tratada ao longo dos últimos anos. O presidente afirmou que aceitar o convite agora passaria a impressão de que existe uma relação de normalidade entre as partes, algo que, segundo ele, ainda está longe de acontecer.

“Enquanto não for reconhecido e corrigido o tratamento editorial difamatório das Organizações Globo, não será possível acolher um pedido de entrevista como parte de uma normalidade que não existe, pelos parâmetros do jornalismo e da democracia”, concluiu.

A decisão repercutiu rapidamente nas redes sociais e voltou a alimentar o debate sobre a relação entre governos e os grandes veículos de comunicação. O episódio também reacende discussões antigas sobre liberdade de imprensa, cobertura jornalística e o papel da mídia na política brasileira, temas que continuam dividindo opiniões entre apoiadores e críticos do atual governo.

 

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