Padre desaparece antes de missa e é achado sem vida na casa paroquial
O padre Júlio César Agripino, de 38 anos, conhecido por muitos na região pelo jeito tranquilo e sempre disposto a ajudar quem aparecia na porta da paróquia, foi encontrado desacordado na Casa Paroquial de Carmo do Rio Claro, no Sul de Minas, na noite dessa sexta-feira (5/12). Ele estava escalado para celebrar a missa das 19h, na Paróquia Nossa Senhora do Carmo, mas acabou não aparecendo no horário — algo que, pra quem convivia com ele, soou imediatamente estranho. O padre tinha aquela fama de chegar cedo, conferir tudo, conversar com o sacristão e até brincar um pouco antes da celebração. Por isso mesmo, o atraso deixou muita gente apreensiva.
Alguns funcionários decidiram ir até a Casa Paroquial para entender o que estava acontecendo. Quando chegaram, encontraram o quarto do sacerdote silencioso. Ao abrir a porta, se depararam com Júlio César caído no chão. A cena foi descrita por um deles como “de cortar o coração”. A equipe do SAMU foi chamada às pressas — o clima na igreja ficou tenso, com fiéis esperando do lado de fora, alguns rezando, outros tentando entender se havia alguma notícia.
Mesmo chegando rápido, a equipe de atendimento não conseguiu reverter a situação. O padre ainda foi levado com urgência para o Hospital São Vicente de Paulo, que fica ali relativamente perto, mas infelizmente não resistiu. A causa da morte foi confirmada como um infarto. Nos últimos meses, várias cidades do país têm registrado casos de doenças cardíacas súbitas em adultos jovens, algo que especialistas vêm comentando bastante na mídia, o que acabou aumentando ainda mais o impacto da notícia entre os moradores.
A comunidade ficou em choque. Nas redes sociais da paróquia e até em grupos de WhatsApp da região, a tristeza era praticamente unânime. “Não dá pra acreditar, ele estava tão bem semana passada”, comentou uma moradora, lembrando que o padre tinha participado recentemente de uma ação social que arrecadou alimentos para famílias atingidas pelas fortes chuvas que têm castigado parte de Minas neste fim de ano.
Ainda durante a manhã de sábado (6/12), foram celebradas missas de corpo presente na Igreja Matriz. O templo ficou lotado — literalmente não cabia mais ninguém. Gente que nem frequentava tanto a igreja apareceu para dar um último adeus. A emoção tomou conta quando o cortejo saiu pela praça principal, acompanhado por moradores em silêncio, alguns segurando velas. O corpo seguiu em direção a Guaxupé, cidade natal do padre, onde também aconteceria mais uma celebração antes do sepultamento.
Em nota oficial, a Paróquia Nossa Senhora do Carmo lamentou profundamente a perda, destacando que a vida de Júlio César “foi um testemunho de fé e amor pela Igreja”. A mensagem dizia ainda que a comunidade estava em oração pelos familiares e por todos que conviveram com ele no dia a dia. “Descansa, bom e fiel servo, na paz de Cristo”, finalizou a nota — uma despedida simples, mas carregada de sentimento.
A Prefeitura de Carmo do Rio Claro também usou as redes sociais para prestar solidariedade. No comunicado, afirmou que a morte do padre “deixa um vazio na comunidade” e ressaltou a importância do trabalho social que ele desenvolvia, especialmente com jovens e famílias em situação de vulnerabilidade. Vários comentários de moradores expressavam o mesmo sentimento: incredulidade, saudade antecipada e a sensação de que a cidade perdeu alguém que, de alguma forma, fazia parte da rotina de todo mundo.
A morte repentina de um líder religioso tão jovem abalou não só os fiéis, mas toda a região. Para muitos, Júlio César era mais que padre — era conselheiro, amigo, alguém que sabia escutar e acolher. E talvez seja isso que faz a despedida parecer ainda mais difícil.



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