Antes do crime, secretário recebeu carta emocionante dos filhos: “Melhor pai do mundo”
O que era pra ser apenas mais uma semana comum em Itumbiara terminou de um jeito que ninguém consegue explicar direito. A cidade acordou em choque depois da tragédia envolvendo o então secretário de governo, Thales Machado, de 40 anos, e os dois filhos dele. Uma história que mistura cartas cheias de amor, um vídeo publicado poucas horas antes e um desfecho que deixou todo mundo sem chão.
Dias antes do ocorrido, Miguel Araújo Machado, de 12 anos, e Benício Araújo Machado, de apenas 8, escreveram cartas para o pai. Cartas simples, com aquela sinceridade que só criança tem. Miguel descreveu Thales como “o melhor pai do mundo”. Em um dos trechos, ele escreveu: “Nunca deixou de pensar em mim. Eu não saberia o que faria sem você”. A frase, cheia de carinho, agora dói de ler.
Benício, o caçula, também abriu o coração no papel. Disse que amava muito o pai e fez um pedido típico de menino da idade dele: queria jogar bola, fazer esporte junto, passar mais tempo ao lado do herói particular. “Você é o melhor pai do mundo. Que você jogue bola comigo e faz muito esporte comigo”, escreveu, com a inocência estampada nas palavras.
Na madrugada de quinta-feira (12), porém, tudo mudou. Segundo as informações divulgadas pelas autoridades, Thales atirou contra os próprios filhos e, em seguida, tirou a própria vida. A notícia se espalhou rápido, primeiro pelos grupos de WhatsApp da cidade, depois pelas redes sociais e, quando se viu, já estava nos principais portais do país.
O mais impressionante é que, horas antes, ele havia publicado um vídeo nas redes sociais. Nas imagens, aparece com o filho mais novo no colo, acompanhando um treino de judô de crianças e adolescentes. Uma cena aparentemente comum, dessas que muitos pais postam orgulhosos. No story, escreveu: “Que Deus abençoe sempre meus filhos… Papai ama muito”. Palavras que agora soam quase impossiveis de acreditar diante do que aconteceu depois.
Além do vídeo, o secretário também teria publicado uma carta aberta na noite anterior. No texto, falava sobre uma suposta traição da esposa e dizia que o relacionamento havia chegado ao fim. “Tudo tem um fim e hoje chegou o nosso, infelizmente”, dizia um trecho. Ele mencionava os 15 anos de família e afirmava que tentou manter a harmonia, mas que teria chegado a um “limite do improvável”. A publicação foi apagada pouco tempo depois.
Thales era genro do prefeito da cidade, Dione Araujo, do União Brasil. A prefeitura decretou luto oficial de três dias pela morte dos netos. A cidade, que já vinha enfrentando problemas comuns do interior — calor forte, início do ano letivo, rotina corrida — parou. Escolas suspenderam atividades, comerciantes fecharam as portas mais cedo. O clima é de consternação.
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do PSD, também se manifestou. Disse estar profundamente consternado e informou que suspendeu a agenda para ir até Itumbiara prestar solidariedade à comunidade. A presença do chefe do Executivo estadual mostra o tamanho do impacto do caso.
É difícil escrever sobre algo assim sem que a mão pese no teclado. A sensação é de incredulidade. Como cartas tão cheias de amor podem anteceder uma tragédia dessas? Como um vídeo desejando bênçãos pode ser publicado poucas horas antes de um ato tão extremo? Perguntas que, talvez, nunca tenham resposta completa.
No fim das contas, ficam as cartas. Ficam as palavras simples de dois meninos que viam no pai o “melhor do mundo”. E fica uma cidade inteira tentando entender o que aconteceu, enquanto tenta seguir em frente, mesmo que seja aos poucos, meio sem saber por onde começar.



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