Luto: Após mais de seis décadas juntos, Roberto Carlos se despede de parceiro
O cantor Roberto Carlos, aos 84 anos, viveu um momento de tristeza profunda ao se despedir de um dos nomes mais importantes de toda a sua trajetória profissional. Genival Barros, parceiro de estrada, de palco e de bastidores, morreu na última sexta-feira (2), aos 85 anos. Para quem acompanha a carreira do “Rei”, Genival não era apenas mais um técnico. Era quase uma extensão do próprio show.
A informação foi divulgada inicialmente pelo G1, mas rapidamente se espalhou entre fãs e profissionais da música. Genival Barros era o responsável pela coordenação técnica das apresentações de Roberto Carlos, cuidando de praticamente tudo o que o público não vê, mas sente: som, luz, vídeo, montagem de palco, camarins e toda a engrenagem que faz um espetáculo acontecer sem falhas. Não é exagero dizer que, por trás da voz inconfundível de Roberto, havia o trabalho silencioso e preciso de Genival.
Uma parceria que atravessou gerações, modas e tecnologias. A ligação entre os dois começou ainda em 1965, durante o programa Jovem Guarda, exibido pela TV Record. Foi ali, naquele ambiente efervescente da música brasileira, que Roberto Carlos convidou Genival para integrar sua equipe fixa. Um convite que, na época, talvez ninguém imaginasse que duraria mais de seis décadas.
Antes de cruzar o caminho do Rei, Genival Barros já respirava rádio e som. Ele iniciou a carreira como técnico na Rádio Caturité, em Campina Grande, na Paraíba. Jovem, curioso e dedicado, logo decidiu tentar a sorte em São Paulo, como tantos outros nordestinos fizeram. Na capital paulista, passou por emissoras importantes, como a Rádio Bandeirantes e a Rádio Excelsior, acumulando experiência e respeito no meio.
Com o passar dos anos, Genival se tornou uma referência nos bastidores dos grandes shows. Em entrevistas, ele sempre fazia questão de destacar o cuidado que Roberto Carlos tinha com a equipe. Não era só com o público, mas com quem trabalhava ao lado dele. Segundo Genival, o cantor mantinha o mesmo padrão de qualidade em qualquer cidade, fosse um grande centro ou uma cidade menor. “O show tinha que ser perfeito em todo lugar”, dizia ele, em tom de orgulho.
Em agosto do ano passado, Genival concedeu uma entrevista à TV Cabo Branco, onde relembrou momentos marcantes dessa caminhada ao lado do artista. Falou de viagens cansativas, de noites mal dormidas, mas também de risadas, histórias curiosas e da sensação de dever cumprido a cada apresentação. Dá pra perceber que não era apenas trabalho, era uma relação de confiança construída ao longo de uma vida inteira.
A morte de Genival Barros acontece em um momento em que o Brasil discute muito o valor dos profissionais que ficam fora dos holofotes. Em tempos de redes sociais, onde quase tudo vira palco, histórias como a dele lembram que grandes carreiras não se constroem sozinhas. Sempre existe alguém nos bastidores segurando as pontas, resolvendo problemas e garantindo que tudo funcione.
O velório e o sepultamento de Genival Barros aconteceram neste sábado (03/01), em um cemitério particular da capital paulista. A família optou por não divulgar a causa da morte, mantendo a discrição que sempre marcou a vida do profissional.
Para Roberto Carlos, fica a dor da perda, mas também a memória de uma parceria rara, daquelas que não se vê todo dia. Para o público, fica o reconhecimento de que o espetáculo só acontece porque existem Genivais espalhados por aí, trabalhando longe dos aplausos, mas fundamentais para que a música chegue até o coração das pessoas.




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