PF detalha doenças de Bolsonaro e alerta para risco de morte súbita
O novo laudo médico elaborado pela Polícia Federal (PF) trouxe mais detalhes sobre a atual condição de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro. O documento, que já está nas mãos das autoridades responsáveis pelo caso, aponta que Bolsonaro apresenta um quadro classificado como “multimorbidade”. Em termos mais simples, isso significa que ele convive com várias doenças crônicas ao mesmo tempo, situação que naturalmente eleva os riscos de complicações mais sérias e até de morte súbita.
Esse laudo não surgiu por acaso. Ele deve pesar, e muito, em futuras decisões relacionadas à execução penal do ex-presidente. Nos bastidores, a avaliação médica já é vista como um dos principais elementos para definir se haverá ou não mudanças no regime de custódia de Bolsonaro nos próximos meses.
Entre os problemas de saúde listados pelos peritos estão doenças conhecidas do público, mas que agora aparecem reunidas de forma mais preocupante. A PF cita apneia obstrutiva do sono em grau grave, hipertensão arterial, doença aterosclerótica e uma insuficiência renal classificada como limítrofe. Ou seja, não é algo pontual ou recente, mas um conjunto de condições que exigem acompanhamento constante.
O laudo também chama atenção para alterações neurológicas. Segundo os peritos, Bolsonaro já apresentou episódios de confusão mental e alterações no nível de consciência. Essas ocorrências podem estar relacionadas ao uso de medicamentos de ação central, utilizados principalmente para controlar as crises recorrentes de soluço — um problema que o ex-presidente enfrenta desde a facada sofrida em 2018.
E por falar nisso, o atentado durante a campanha eleitoral continua deixando marcas. As sequelas da facada aparecem de forma clara no documento da PF, como aderências intestinais, esofagite erosiva e as já citadas crises de soluço, que viraram quase uma marca registrada do ex-presidente em aparições públicas. É o tipo de coisa que muita gente minimiza, mas que no dia a dia pesa bastante.
Outro ponto recente e que preocupa é uma queda sofrida por Bolsonaro, que resultou em um traumatismo craniano leve. Apesar de não ter sido considerado grave, o episódio entrou no relatório médico justamente por se somar a esse quadro geral já delicado. Quando se junta idade, histórico médico complicado e acidentes recentes, o alerta acende automaticamente.
O sobrepeso também foi mencionado pelos peritos, assim como sintomas depressivos. De acordo com informações divulgadas pelo jornal O Globo, esse aspecto emocional não foi ignorado na avaliação. Afinal, prisão, pressão política e exposição constante afetam qualquer pessoa, ainda mais alguém que passou anos no centro do poder.
Mesmo com essa lista extensa de problemas, a conclusão da Polícia Federal foi clara: o estado de saúde de Jair Bolsonaro é considerado estável no momento. Por isso, os peritos entendem que ele pode continuar detido na cela do 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha. A possibilidade de prisão domiciliar, ao menos por agora, foi descartada.
Nos bastidores, a avaliação dividiu opiniões. Aliados veem o laudo como prova de que Bolsonaro precisa de cuidados especiais, enquanto críticos afirmam que estabilidade clínica é suficiente para mantê-lo onde está. A verdade, como quase sempre, fica no meio do caminho. O laudo não absolve nem condena, apenas descreve um corpo que carrega muitas cicatrizes — físicas e políticas — acumuladas ao longo dos últimos anos.



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