Temer afirma que Donald Trump pode ajudar Lula nas eleições de 2026
Em um evento realizado em São Paulo nesta semana, o ex-presidente Michel Temer resolveu soltar mais uma daquelas frases que acabam chamando atenção da imprensa. Segundo ele, de forma até meio irônica, quem pode se tornar um “cabo eleitoral” de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026 não é nenhum aliado tradicional do petista, mas sim o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração, claro, não passou batida e já começou a gerar debates sobre o peso da política internacional no cenário brasileiro.
Temer argumentou que, sem querer, Trump pode acabar fortalecendo a imagem de Lula dentro do Brasil. Ele lembrou que, em outros momentos, o petista ganhou popularidade justamente quando levantou a bandeira da soberania nacional. Um exemplo disso, de acordo com Temer, foi quando Trump impôs uma tarifa pesada, de 50%, sobre produtos brasileiros, gesto que reacendeu a narrativa de resistência contra pressões externas.
O ex-presidente aproveitou também para relembrar o caso de Jair Bolsonaro, hoje condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a mais de 27 anos de prisão por envolvimento em um esquema golpista. Temer destacou que até mesmo as críticas de Trump a decisões da Justiça brasileira acabaram, de certa forma, reforçando a postura de Lula como defensor da democracia e das instituições nacionais.
A fala de Temer ocorreu durante o AGF Day 2025, evento empresarial que reuniu políticos e lideranças em São Paulo. E, como já tinha feito em outras ocasiões, ele sugeriu que Lula deveria pegar o telefone e ligar para Trump. Segundo Temer, esse gesto simples poderia destravar negociações e reduzir tensões econômicas. “Falta diálogo entre os dois. Não vi até agora um telefonema do governo para Trump. Acho importante. Se ligar, ele atende. E se não atender, aí o governo pode vir a público e dizer: tentei, não atendeu. Isso seria uma satisfação para o povo brasileiro”, declarou.
O tom usado por Temer soa como uma mistura de crítica e conselho. Ele parece sugerir que Lula precisa ser mais pragmático, até mesmo ao lidar com figuras tão controversas como Trump. O curioso é que, ao mesmo tempo, o ex-presidente coloca o líder norte-americano como alguém capaz de ajudar, ainda que involuntariamente, a consolidar a popularidade do atual presidente brasileiro.
No meio do discurso, Temer ainda resolveu abrir um bastidor dos tempos em que esteve no Planalto. Contou que, em uma reunião com Trump e outros presidentes da América do Sul, o americano foi direto ao ponto e perguntou: “Quando vocês vão invadir a Venezuela?”. Segundo Temer, os líderes presentes responderam que mantinham relações institucionais com o governo de Caracas, mas deixaram claro que não concordavam com o regime chavista. Essa postura, de acordo com ele, já foi suficiente para agradar Trump e evitar maiores desgastes.
É interessante notar como Temer, mesmo fora do poder, continua tentando se posicionar como uma voz de moderação e diálogo. Talvez seja também uma forma de manter-se relevante no debate público, ainda mais em um momento em que as eleições de 2026 já começam a esquentar, com nomes como Lula, governadores de peso e até outsiders cogitados.
Vale lembrar que a relação Brasil-Estados Unidos sempre foi um tema sensível na política nacional. A depender de quem está no comando dos dois países, pode haver aproximação ou choque de interesses. No atual cenário, com Trump de volta à Casa Branca e Lula no Planalto, o tabuleiro internacional promete ser ainda mais complexo.
No fim das contas, a fala de Temer traz uma provocação: será que Lula deve mesmo buscar diálogo direto com Trump ou é melhor seguir reforçando sua imagem de independência frente ao gigante norte-americano? Essa é uma pergunta que deve continuar ecoando, pelo menos até a largada oficial da campanha de 2026.



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