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Vídeo: Lula bate boca com repórter da Globo e entrevista sai do controle

Vídeo: Lula bate boca com repórter da Globo e entrevista sai do controle

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a chamar atenção neste domingo (22) ao protagonizar um momento tenso com o jornalista Tiago Eltz, da TV Globo. A cena aconteceu durante uma entrevista coletiva em Nova Déli, capital da Índia, onde o petista cumpre agenda oficial.

Antes mesmo das perguntas começarem, Lula fez aquele tradicional balanço da viagem. Falou sobre acordos, cooperação internacional, comércio e também sobre os próximos compromissos fora do Brasil. Entre eles, um encontro previsto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Sim, Trump de novo no centro das atenções globais, num cenário internacional que anda mais agitado do que nunca.

Foi nesse contexto que Lula tocou num ponto delicado: a questão dos brasileiros envolvidos com crimes que estariam morando nos Estados Unidos. O presidente afirmou que o Brasil pretende, sim, pedir a deportação dessas pessoas. E foi direto ao ponto, do jeito que ele costuma ser.

“Reivindicando mandar para nós os bandidos que estão lá. Brasileiros que cometem crimes, e todo mundo já sabe que cometeu crime… gente que contrabandeava gasolina, está lá. Então, nos mande”, declarou. Segundo ele, a ideia é mostrar que o país quer combater o crime organizado com seriedade, sem passar pano pra ninguém.

Até aí, tudo parecia dentro do script. Mas bastou começar a rodada de perguntas para o clima mudar.

Ao pegar o microfone, Tiago Eltz mencionou que Lula teria falado em “receber criminosos” no Brasil, relacionando o tema às políticas migratórias mais rígidas defendidas por Trump. O jornalista ainda estava formulando a pergunta quando foi interrompido.

“Você não ouviu isso aqui”, disparou Lula, visivelmente incomodado.

O presidente argumentou que a forma como a pergunta estava sendo construída poderia passar uma impressão errada. “Se eu aceito que você faça a pergunta do jeito que você está fazendo, dá a impressão que eu falei isso, e eu não falei isso”, afirmou.

O clima ficou meio estranho por alguns segundos. Coletiva internacional, câmeras ligadas, imprensa do mundo todo acompanhando. Não é pouca coisa.

Depois de ouvir a pergunta completa, Lula reforçou que não falou em “receber” criminosos, mas sim em prendê-los. Ele fez questão de diferenciar as palavras, como quem corrige um detalhe que, pra ele, muda tudo. E talvez mude mesmo.

Para ilustrar, citou uma operação recente que teria bloqueado cerca de 250 milhões de litros de gasolina transportados de forma irregular em cinco navios. Segundo o presidente, um dos suspeitos estaria vivendo em Miami. O governo brasileiro, de acordo com Lula, já teria enviado informações às autoridades americanas pedindo cooperação.

“É para combater o crime organizado? Então, nos entregue nossos bandidos. É isso. Não é a palavra receber, é prender”, reforçou.

A discussão evidencia como cada termo pesa quando se trata de política internacional. Ainda mais num momento em que o debate sobre imigração, segurança e soberania está tão quente — tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Basta ver as declarações recentes de Trump sobre fronteiras e deportações para entender o tamanho da sensibilidade do tema.

No fim das contas, o episódio mostra duas coisas: primeiro, que Lula continua reagindo de forma contundente quando acha que foi mal interpretado. Segundo, que a relação Brasil-EUA deve ganhar novos capítulos nos próximos meses.

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